A dois anos de LA 2028, Brasil tem lista de medalhistas confirmados e nova geração pronta para brilhar em Los Angeles
Rebeca Andrade, Isaquias Queiroz, Beatriz Souza e Rayssa Leal lideram delegação brasileira, enquanto nomes como Rebeca Lima e Maria Clara Pacheco despontam como surpresas do ciclo olímpico.
A dois anos exatos da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) começa a desenhar com mais clareza o perfil da delegação que tentará superar a marca de 20 medalhas conquistadas em Paris-2024. Se há dúvidas naturais em um ciclo ainda em andamento, há também certezas: o Brasil contará com uma base de medalhistas experientes e uma nova geração que já chegou ao topo do pódio em campeonatos mundiais.
Segundo projeções internas do COB, o país deve manter a média de pódios das últimas três edições olímpicas — algo em torno de 20 medalhas. A incógnita, por enquanto, é quantos ouros serão possíveis. O recorde de sete medalhas douradas, conquistado em Tóquio-2020, segue como meta ambiciosa.
Rebeca Andrade: a maior medalhista da história olímpica do Brasil
A ginasta Rebeca Andrade é, sem dúvida, o principal nome do Time Brasil rumo a Los Angeles. Maior medalhista olímpica do país, com seis pódios na carreira, a atleta de 27 anos confirmou em 2026 o retorno às competições internacionais após um período de pausa desde Paris-2024.
Rebeca sinalizou, no entanto, que pode aposentar o solo — aparelho que lhe rendeu o ouro na França e que mais exige dos joelhos, operados três vezes. Sem o solo, ela consequentemente não disputa o individual geral, o que lhe daria um dia de descanso em grandes competições. A mudança de planos, porém, depende da resposta do corpo à carga de treinos.
Se conseguir competir em plena forma, Rebeca segue como favorita em pelo menos duas provas: salto e barras assimétricas. A ginástica artística brasileira, aliás, vive um momento histórico e espera repetir em LA o desempenho de Paris, quando conquistou quatro medalhas.
Isaquias Queiroz: o gigante da canoagem busca o tri
O canoísta Isaquias Queiroz, 32 anos, é outro nome certo na delegação brasileira. Campeão olímpico no C-1 1000m em Paris, o mineiro de Ubá já revelou publicamente seu objetivo: buscar a classificação para Los Angeles e, quem sabe, conquistar o tricampeonato olímpico.
Isaquias é o atleta brasileiro com mais medalhas olímpicas na canoagem velocidade e um dos principais nomes do esporte no mundo. A experiência e a regularidade em competições internacionais fazem dele um candidato natural ao pódio em 2028.
Judô: Bia Souza quer o bi e nova geração pressiona
O judô brasileiro vive um momento de transição, mas mantém força. Beatriz Souza, 28 anos em LA, foi a grande estrela da modalidade em Paris-2024, com o ouro individual e o bronze por equipes. Ela segue como principal aposta do Brasil para repetir o feito.
Ao lado dela, nomes como Willian Lima (prata em Paris), Larissa Pimenta (bronze) e Daniel Cargnin formam um grupo experiente que deve chegar forte à Califórnia. A preocupação fica por conta de atletas mais veteranos, como Rafaela Silva e Ketleyn Quadros, que terão idades mais avançadas, mas ainda não falaram em aposentadoria.
Skate e surfe: Rayssa e Yago Dora na mira
O skate brasileiro, que se consolidou como uma das principais potências mundiais, terá em Rayssa Leal sua principal representante. A skatista de Imperatriz foi indicada ao Prêmio Brasil Olímpico 2025 e segue em plena ascensão. Aos 25 anos em LA, ela chega na maturidade técnica e com experiência olímpica de sobra.
No surfe, Yago Dora foi finalista ao Atleta do Ano em 2025 e aparece como forte candidato ao pódio. O Brasil, que conquistou o ouro olímpico no surfe em Tóquio-2020 com Italo Ferreira, busca repetir o feito na Califórnia, onde as ondas de Trestles e Lower Trestle devem receber a competição.
Boxe: Rebeca Lima é a nova rainha do ringue
A grande surpresa do ciclo olímpico brasileiro tem nome e sobrenome: Rebeca Lima. A boxeadora de 25 anos conquistou em 2025 o ouro no Mundial de Liverpool, na Inglaterra, na categoria peso-leve (até 60kg), e se consolidou como a principal aposta do boxe nacional para Los Angeles.
Rebeca virou a final contra a polonesa Aneta Rygielska depois de perder o primeiro round e foi campeã na decisão dos juízes. A vitória no Mundial a colocou como favorita ao pódio olímpico e como sucessora natural de Beatriz Ferreira, que dominou a categoria nos últimos anos.
Taekwondo: Maria Clara e Henrique Marques miram o inédito
O taekwondo brasileiro, modalidade que nunca conquistou uma medalha olímpica, vive um momento inédito. Maria Clara Pacheco e Henrique Marques venceram campeonatos mundiais em 2025 e foram finalistas ao Prêmio Brasil Olímpico.
Ambos aparecem como apostas reais de pódio em Los Angeles. Se concretizarem o potencial, o Brasil pode enfim estrear no quadro de medalhas olímpicas da modalidade — algo que o COB considera prioritário para ampliar o leque de esportes medalháveis.
Tênis de mesa: Hugo Calderano aos 32
Hugo Calderano, 32 anos em LA, chega à sua terceira Olimpíada como o principal mesatenista das Américas. Em Paris-2024, foi o primeiro atleta de um país fora da Ásia e da Europa a chegar a uma semifinal olímpica. A experiência e a evolução técnica fazem dele um candidato natural ao pódio, especialmente se o sorteio for favorável.
Vôlei de praia: Duda e Ana Patrícia querem o ouro
A dupla Duda e Ana Patrícia, campeã olímpica em Paris-2024, segue como uma das principais apostas do Brasil em Los Angeles. O vôlei de praia brasileiro, tradicionalmente forte, conta ainda com outras duplas em ascensão e deve levar ao menos duas equipes em cada naipe.
Marcha atlética e maratona aquática: Caio Bonfim e Ana Marcela
Caio Bonfim, marchador brasileiro mais consistente da história, conquistou em 2025 o bronze na meia-maratona do Mundial de Marcha Atlética. Aos 35 anos em LA, ele segue como aposta de pódio. Ana Marcela Cunha, na maratona aquática, também tem experiência olímpica de sobra e chega forte ao ciclo.
Novos nomes para ficar de olho
Além dos nomes consagrados, o ciclo olímpico revelou atletas que podem surpreender em Los Angeles. Na natação, Guilherme Caribé e Guilherme Costa aparecem como apostas. No levantamento de peso e na canoagem slalom, jovens talentos buscam vaga. No wrestling, nomes em ascensão pressionam por espaço.
O COB também aposta em esportes que “beiraram” o pódio em Paris, como tiro com arco, ginástica rítmica e tênis de mesa feminino, como potenciais surpresas em 2028.
O desafio de manter a base
O maior trunfo do Brasil rumo a Los Angeles é a manutenção da base de medalhistas de Paris-2024. A maioria dos 61 atletas que subiram ao pódio na França sinalizou intenção de continuar por ao menos mais um ciclo. Isso dá ao país uma vantagem competitiva rara: experiência olímpica acumulada.
O desafio, agora, é equilibrar essa base com a renovação. A nova geração — Rebeca Lima, Maria Clara Pacheco, Henrique Marques — já mostrou que pode chegar ao topo. Se mantiver a evolução, Los Angeles pode ser o palco de uma das maiores campanhas olímpicas da história do Brasil.
📎 Leia a matéria completa em: esportes.pnn.lat


